IVBAM comemora a Independência dos Estados Unidos da América

 

O Instituto de Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira e o Centro Cultural John dos Passos comemoram amanhã, dia 4 de Julho, a Independência dos Estados Unidos da América, com um brinde de Vinho Madeira.
 
Esta iniciativa, que decorrerá na Ponta do Sol, no Centro Cultural John dos Passos, tem início às 17 horas com uma prova de Vinho Madeira, dirigida a turistas e residentes de nacionalidade americana e ainda madeirenses e turistas de nacionalidades diversas. O programa prosseguirá com discursos de abertura e com a realização de uma conferência subordinada ao tema "Madeira Wine to American Eyes". O evento finalizará com a apresentação de um concerto de jazz pela Escola Profissional das Artes da Madeira.
 
Esta comemoração reveste-se de uma considerável relevância histórica pois a associação do Vinho da Madeira à América do Norte é bastante estreita e testemunho desta proximidade é o facto da celebração da Declaração de Independência dos Estados Unidos da América, a 4 de Julho de 1776, ter sido brindada com um cálice de Vinho da Madeira, embora o Vinho Madeira esteja presente nos EUA desde início do Século XVII.
 
Os primeiros dados da presença do Vinho Madeira nos Estados Unidos recuam a 1640, quando chegou a New England, espalhando-se depois para Boston e outras cidades. Mas só em meados do século XVIII é que passa a ser muito procurado pelos americanos. Desde aí, o Vinho Madeira começou a marcar presença nos portos de Boston, Charleston, Nova Iorque e Fiiladélfia, Baltimore, Virginia, estados fundadores daquela Nação, sendo usado como produto de troca por farinha ou madeira para pipas.
 
As relações comerciais com os EUA revestem-se de um significado histórico e comercial muito profundo, quer para a ilha da Madeira e o seu desenvolvimento, quer na própria história dos EUA onde o Vinho da Madeira manteve um papel importante, integrando hábitos e costumes dos seus habitantes e fazendo parte de acontecimentos históricos relevantes para a História americana.
 
As famílias importantes de Boston, Charleston, Nova Iorque e Filadélfia disputavam umas às outras os melhores vinhos da Madeira e tendo assim os habitantes da então colónia inglesa criado uma verdadeira afeição a este vinho, em momentos de dificuldade lutavam pela sua presença no seu dia-a-dia. Assim sucedeu, em 1768, quando John Hancock,  um dos signatários da Declaração de Independência, se recusou a pagar os novos direitos aduaneiros impostos pela Coroa Britânica sobre o carregamento de 127 pipas de vinho Madeira, transportadas pelo navio Liberty, no porto de Boston. A carga foi apreendida por oficiais britânicos, o que deu origem a um motim, terminando este, um dia depois, com a devolução do precioso carregamento de Vinho Madeira a Hancock. Esta demonstração bem sucedida conhecida por Madeira Party abriu um precedente para o evento que ficou conhecido como “Boston Tea Party”.
 
John Adams, Benjamin Franklin e Thomas Jefferson, Georges Washington, 4 dos Founding Fathers, eram grandes apreciadores de Vinho Madeira ! Assim se compreende que a declaração da Independência dos Estados Unidos em 1776 tenha sido celebrada com um cálice de Vinho Madeira, permanecendo este vinho para a História como o Vinho da Declaração da independência. O facto de alguns presidentes dos EUA serem apreciadores foi suficiente para garantir a sua continuidade neste novo país. Nova Iorque era o principal destino, tendo recebido, entre 1785 e 1787 metade do total das exportações para aquela recém criada Nação.
 
George Washington, primeiro presidente dos EUA detinha um tal apreço pelo Vinho Madeira, que chegou mesmo a tentar importar os bacelos que lhe davam origem, para cultivá-los em Mount Vernon (in The Writings of George Washington from the Original Manuscript Source, 1745-1799). Diversas publicações referem-no como grande apreciador deste precioso néctar, tendo por hábito beber após o jantar “um copo de Vinho Madeira à sobremesa”. A referência mais antiga a um carregamento de Vinho Madeira encomendado por George Washington é de 1759.(In Washington, Writings Washington, p. 321) Desde aí até 1783 encomendou 15 barris de Vinho Madeira velho, desde que “…fossem provenientes das “melhores” casas da ilha…”, que teriam custado entre 26 a 31 libras estrelinas cada.
 
John Adams, outro dos signatários da Declaração, e segundo presidente dos EUA, afirmou que “alguns cálices de vinho Madeira faziam qualquer pessoa sentir-se capaz de ser presidente”, assegurando ao Embaixador português que o Madeira era o Vinho mais apreciado pelos Americanos, pelo facto de poder ser tomado tanto no Verão como no Inverno.
 
Benjamin Franklin, um dos subscritores da Declaração da Independência, não dispensou numa viagem que fez à Europa, uma breve estadia na Madeira, para apreciar as belezas da ilha e degustar o seu Vinho. É também relator de uma extraordinária história de três moscas, que tendo sido colocadas dentro de uma garrafa de Vinho Madeira, durante o engarrafamento que decorreu na Virgínia, viriam a recuperar a vida, em Londres, aquando da abertura da garrafa, facto este atribuídos às características únicas do Vinho Madeira.
 
De todos os Founding Fathers, será provavelmente de Thomas Jefferson, que mais referências se encontram relativamente ao Vinho Madeira. Autor e signatário da Declaração da Independência e terceiro presidente dos EUA, era considerado um grande apreciador de vinhos e tinha em seu redor pessoas que também eram grandes apreciadoras de Vinho Madeira. Este néctar era uma constante na sua vida, tendo na sua casa em Monticello, local de retiro após o mandato presidencial, uma adega onde o Vinho Madeira tinha uma posição de destaque. Consta que o seu Vinho preferido, entre os Madeira, era o doce produzido com a casta Malvazia, que considerava delicado e de qualidade superior. Em 1997 uma das suas garrafas foi leiloada em Londres, atingindo, à data, o valor de 23.000 dólares americanos.
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